quarta-feira, 30 de abril de 2008

II O nascer do Sol negro

Diante do medo um sorriso aeróbico, nas bochechas a câimbra de uma alegria incompleta, que a lógica violenta da cores tingem, na velocidade terrível da queda... Ele acordou e percebeu seu dia nublado, haviam fortes ventos tumultuando sua vida certa, brilhantes relâmpagos a iluminar a face de medo, lágrimas caindo misturada a chuva que chegara, molhando seu cabelos após o guarda-chuva ser roubado na esquima da perdição, onde seu destino havia sido traçado, quando segundos atrás com presa saltou a janela do quarto, mesmo com assas quebradas e altura de sétimo andar.
Raios se tocaram e a energia liberada mudou dois destinos nunca antes cruzados, cuidadosamente foi recompondo o personagem enquanto observava no horizonte o lento sumiço daqueles olhos negros minutos antes hipnotizadores e profundos na imensidão da certeza oculta de seus olhos mel como certamente seria o sabor de seus lábios
Era uma andar suave, levitava enquanto a chuva passava sob seus pés misturada a lama putrefata da qual nasciam flores de lótus, onde Ele observou a beleza do instante, resolveu correr, na chuva nutria suas esperanças de amor, imediatamente percebendo o enterro de sua ultima quimera a cada novo passo de Olhos Negros, os segundos pararam, a terra girou, enquanto que as gotas de chuva paradas no ar permaneceram, até que em um intenso e rápido momento Ele por uma vez mais nas luzes de Olhos Negros disse:

- Este é o meu telefone – em um pedaço de papel mal cortado, com a letra caprichada e extremamente redonda.
- Saiba que observava você a bom tempo, no sabor dos seus lábios sonhei me afogar, na luz dos seus olhos por vezes me perdi, unicamente agora me notou ? - lamentou Olhos Negros
- Não, havia percebido sua presença muito antes, é que sempre a dois estava, claramente não imaginei que compartilhava da mesma estima – o coração saia pela boca.
- Sim, absolutamente você é a criatura mais bela que já vi, acontece que estou indo pra casa, minha vida carece de uma solução imediata, seu telefone já tenho, te ligo quando puder, mas lhe garanto que algo está programado a nós - disse correndo, olhou pra trás na esquina, parou segundos esperando que a cena voltasse e um beijo de Ele ganhasse.

Ele não se conteve, as pupilas dilatadas, mãos suadas mesmo na chuva, nesta hora já caindo e recém saída do estado de inércia da cena anterior, no horizonte avistava o nascimento de um sol negro, Ele sabia que tudo seria feito no escuro de uma emoção escondida, onde raios de sol fossem semelhantes a lua minguante, haveriam poucos momentos juntos, quando houvessem, porém a certeza de viver alguma coisa o fazia vibrar, a vontade em sair da escuridão e cair no mar de ondas negras o fazia viver, sentir o cheiro da vida, anteriormente enfrascada em magníficos e artificiais perfumes, agora sonhava e esperava pelo perfume dos braços de Olhos Negros, por um momento em que na imensidão de um abraço dormisse e não mais acordasse sem aqueles Olhos Negros.

terça-feira, 15 de abril de 2008

I Criatura oculta


Certa vez acordou, meio excitado e com os olhos ainda mais vermelhos, olhando os cantos de seu quarto a localizar coisas que antes eram distração de criança e que agora não passavam de meros objetos compondo seu personagem bem visto aos olhos de uma sociedade, acordou excitado, com coisas que não podiam excitar, olhando sua excitação deu logo cabo furiosamente com suas mãos de unhas bem feitas, porém não pintadas, sentiu ao final sua magnânima façanha, notando depois que agira como no sonho, pensando em quem não podia.

Pensava em pessoas diferentes, ao mundo semelhantes, posturas diferentes, gostos complexos, foi então que percebeu que era outra coisa, não o que queria, nem sabia o que seria. Passou a esconder, em meio ao mal das sombras na cidade se arrastou, com sorriso largo e mentiroso sobreviveu, sempre escondendo a criatura interior, sempre largando o que era rumo ao que deveria supostamente ser.

Anos passando, o rosto permanecendo igual, sem rugas ou marcas de expressão, não conhecia o amor, era fascinado e gerido por desejos, abastecido por sonhos melosos e contatos inexistentes, era apenas uma sombra na cidade, era apenas mais uma sombra sem luz. Diferente, sem falar nunca de amor, se escondendo foi, na floresta escura e sem ar, afogando suas mágoas na construção de um personagem, admirado pela inteligência, abominado pela falta de sentimentos, dono do mais absoluto vazio, aquele preenchido pela falta de amor, um buraco sem fim, repleto de desejos não vividos e ocultos em caixinhas guardadas na ultima gaveta do guarda-roupa, ainda trancada por cadeados no interior do cofre, onde jamais seu segredo seria desvendado.

Havia alguém conhecedor de seu segredo, detentor das chaves desse tão escondido cofre, unicamente quem jamais lhe daria a facada nas costas, absolutamente jamais contaria seu segredo, era seu espelho, seu maio algoz, onde admirava sua beleza enquanto apagava as provas de seu crime, um crime que nunca havia cometido, em sua mente psicodélica seria pego, refazia os passos, revia as frases ditas, dormia e acordava com a mesma excitação, ele se traia toda noite, toda noite seu personagem era desfeito, e pela manha sabia, não ser suficientemente bom em esconder o que era, o dia da liberdade havia chegado, o cofre seria aberto, dentro dele ainda havia a caixinha.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Diante do enesperado

Sem saber o que fazer e onde mais deixar toda minha ardilosa vontade animal de fazer o que queria, resolvi transformar o que sinto em uma enorme e grande melancolia sem fim, enquanto que o blog Segredos de liqüídificador retrata o fiel dia-a-dia de um garoto frente aos desejos, este novo blog, Não demora por favor..., pretende mostrar a realidade dos fatos que levaram o garoto a realizar tais desejos, libertando-o da culpa de sentir a cada dia emoções novas por uma pessoa que não é dele e quem sabe se um dia será.
A proposta é imaginar quem são os personagens, uma vez que nunca são identificados, estando sempre em terceira pessoa, eu imagino neste novo blog os sentimentos do amante e de quem é amado, fazendo jogo duplo, não sendo mais o dono da cena como em Segredos de liquidificador, puramente meus sentimentos revelados.