Diante do medo um sorriso aeróbico, nas bochechas a câimbra de uma alegria incompleta, que a lógica violenta da cores tingem, na velocidade terrível da queda... Ele acordou e percebeu seu dia nublado, haviam fortes ventos tumultuando sua vida certa, brilhantes relâmpagos a iluminar a face de medo, lágrimas caindo misturada a chuva que chegara, molhando seu cabelos após o guarda-chuva ser roubado na esquima da perdição, onde seu destino havia sido traçado, quando segundos atrás com presa saltou a janela do quarto, mesmo com assas quebradas e altura de sétimo andar.Raios se tocaram e a energia liberada mudou dois destinos nunca antes cruzados, cuidadosamente foi recompondo o personagem enquanto observava no horizonte o lento sumiço daqueles olhos negros minutos antes hipnotizadores e profundos na imensidão da certeza oculta de seus olhos mel como certamente seria o sabor de seus lábios
Era uma andar suave, levitava enquanto a chuva passava sob seus pés misturada a lama putrefata da qual nasciam flores de lótus, onde Ele observou a beleza do instante, resolveu correr, na chuva nutria suas esperanças de amor, imediatamente percebendo o enterro de sua ultima quimera a cada novo passo de Olhos Negros, os segundos pararam, a terra girou, enquanto que as gotas de chuva paradas no ar permaneceram, até que em um intenso e rápido momento Ele por uma vez mais nas luzes de Olhos Negros disse:
- Este é o meu telefone – em um pedaço de papel mal cortado, com a letra caprichada e extremamente redonda.
- Saiba que observava você a bom tempo, no sabor dos seus lábios sonhei me afogar, na luz dos seus olhos por vezes me perdi, unicamente agora me notou ? - lamentou Olhos Negros
- Não, havia percebido sua presença muito antes, é que sempre a dois estava, claramente não imaginei que compartilhava da mesma estima – o coração saia pela boca.
- Sim, absolutamente você é a criatura mais bela que já vi, acontece que estou indo pra casa, minha vida carece de uma solução imediata, seu telefone já tenho, te ligo quando puder, mas lhe garanto que algo está programado a nós - disse correndo, olhou pra trás na esquina, parou segundos esperando que a cena voltasse e um beijo de Ele ganhasse.
Ele não se conteve, as pupilas dilatadas, mãos suadas mesmo na chuva, nesta hora já caindo e recém saída do estado de inércia da cena anterior, no horizonte avistava o nascimento de um sol negro, Ele sabia que tudo seria feito no escuro de uma emoção escondida, onde raios de sol fossem semelhantes a lua minguante, haveriam poucos momentos juntos, quando houvessem, porém a certeza de viver alguma coisa o fazia vibrar, a vontade em sair da escuridão e cair no mar de ondas negras o fazia viver, sentir o cheiro da vida, anteriormente enfrascada em magníficos e artificiais perfumes, agora sonhava e esperava pelo perfume dos braços de Olhos Negros, por um momento em que na imensidão de um abraço dormisse e não mais acordasse sem aqueles Olhos Negros.

